Acordo firmado em Salvador reforça medidas de segurança no Santuário do Bom Jesus da Lapa

Ação conjunta entre Ministério Público, Prefeitura e Igreja amplia monitoramento e consolida ações preventivas no Morro

 
 
A segurança e a preservação do Santuário do Bom Jesus da Lapa ganharam um novo e importante reforço nesta quarta-feira (6), com a formalização de um acordo entre o Ministério Público do Estado da Bahia, a Prefeitura de Bom Jesus da Lapa e a Mitra Diocesana. O encontro foi realizado no Centro Administrativo da Bahia, em Salvador, reunindo autoridades e representantes das instituições envolvidas.

O documento, construído por meio do Centro de Autocomposição e Construção de Consensos (Compor) e da 3ª Promotoria de Justiça de Bom Jesus da Lapa, estabelece um conjunto de medidas estruturadas para garantir a segurança, a preservação do patrimônio e a continuidade das atividades religiosas no Santuário, que há mais de 300 anos recebe romeiros de todo o país.

Estiveram presentes o prefeito Eures Ribeiro, o procurador-geral de Justiça e chefe do MP-BA, Pedro Maia, o bispo diocesano Dom Rubival Cabral Britto e o reitor do Santuário, Padre Roque Silva, entre outras autoridades estaduais e municipais.

Ao destacar a importância do acordo, o prefeito Eures Ribeiro afirmou:
“Esse acordo vai permitir que a Romaria de Bom Jesus da Lapa siga com a maior segurança possível para os romeiros e para o povo da cidade.”

Um marco construído com diálogo e base técnica

O acordo é resultado de mais de um ano de reuniões, estudos técnicos e articulação entre diversas instituições. O procurador-geral de Justiça, Pedro Maia, classificou o momento como um avanço significativo:

“O acordo é de extrema complexidade, mas dá um impulso significativo para a romaria deste ano, que certamente será realizada com mais segurança e com a expectativa de um público ainda maior.”

Ele também destacou o caráter histórico da iniciativa:

“Um marco de promoção da proteção à vida da população, à espiritualidade, ao patrimônio histórico, cultural e religioso e à economia local, que gira em torno da romaria.”

Segundo o chefe do MP-BA, a construção do acordo reforça a importância do diálogo institucional e do uso da ciência como base para decisões que previnem riscos e evitam desastres.

A promotora de Justiça Raquel Souza dos Santos também ressaltou o processo técnico e responsável que levou à construção do documento:

“Foi um processo longo, extremamente técnico, responsável e profundamente comprometido com a vida das pessoas. Não se tratou e jamais se tratará de limitar a profissão de fé, mas de cuidar das pessoas.”

Medidas estruturantes e monitoramento permanente

O acordo estabelece a implantação de um programa contínuo de avaliação e controle geológico, com monitoramento periódico das áreas internas e externas do Santuário, inspeções regulares e adoção de ações emergenciais sempre que necessário.

Também estão previstas medidas como:

– protocolos de alerta, interdição e reabertura de áreas;
– execução de obras de contenção e manutenção;
– monitoramento intensificado em períodos chuvosos e durante grandes eventos, como as romarias;
– ordenamento do fluxo de visitantes em áreas sensíveis, com controle de permanência para reduzir riscos.

Além disso, o Município se comprometeu a fortalecer a estrutura da Defesa Civil, com ampliação da equipe, capacitação técnica e elaboração de um plano municipal específico para gestão de riscos.

As ações seguem as recomendações do relatório técnico elaborado pela geóloga Dra. Joana Paula Sanchez, que orienta o manejo das áreas e a redução de riscos no complexo do Santuário.

Ações já em andamento desde 2025

Desde 2025, diversas intervenções já vêm sendo executadas no local, como a remoção controlada de blocos rochosos instáveis, o monitoramento de áreas críticas e interdições pontuais em trechos considerados sensíveis.

Essas medidas têm como objetivo garantir a segurança de romeiros, visitantes e trabalhadores, além de preservar o patrimônio histórico e religioso.

Desocupação de áreas de risco e apoio às famílias

O acordo também reforça a continuidade das medidas de interdição e desocupação assistida em áreas classificadas como de risco, com ações voltadas para impedir reocupações e garantir apoio às famílias afetadas.

O prefeito Eures Ribeiro destacou que o Município já iniciou esse processo e vem se preparando para atender às demandas sociais e estruturais:

“Já avaliamos os impactos financeiros das indenizações aos moradores e criamos um fundo para viabilizar o pagamento a eles e os reparos ao Santuário.”

As medidas seguem determinações do Ministério Público com base em estudos técnicos que apontam risco real em áreas específicas do entorno do Morro.

Parceria, fé e responsabilidade coletiva

Para o bispo diocesano Dom Rubival Cabral Britto, o acordo simboliza um momento de união e responsabilidade compartilhada:

“O diálogo, a escuta e a parceria promovem acordos que garantem a preservação e o cuidado com as pessoas e com a missão que o Santuário tem com a nossa região, com o Brasil e com todo o mundo.”

Ele também destacou que o momento marca o início de um novo ciclo: um tempo de cooperação contínua entre instituições, com foco no cuidado com as pessoas e na preservação do Santuário.

Compromisso com a vida e com o futuro

As ações integram uma política permanente de prevenção e gestão de riscos, alinhada à Política Nacional de Proteção e Defesa Civil.

Com o acordo, Bom Jesus da Lapa fortalece um modelo de atuação baseado na responsabilidade, na ciência e no diálogo institucional, garantindo que fé, tradição e segurança caminhem juntas.

A Prefeitura segue atuando de forma integrada com os demais órgãos e reafirma seu compromisso com a transparência, o cuidado com a população e a preservação de um dos maiores símbolos religiosos do Brasil.

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